Deu o que falar

A proposta de terça-feira feita aqui na coluna para que o Supremo garanta logo a renovação do contrato de aluguel de Lula e Janja no Alvorada até 2030 foi um tanto controversa, admito. Mas com a elevação da Selic para 14,25%, inflação de fevereiro nas alturas (1,31%) e o governo fazendo graça com isenção de IR para melhorar sua popularidade, precisamos urgentemente falar sobre isso.
A história ainda dará os devidos créditos a Campos Neto por sua atitude no apagar das luzes de seu mandato à frente do BC. Mesmo tendo sido feito de saco de areia pelo governo sempre que era obrigado a elevar os juros, os aumentos na Selic programados por ele para 2025 foram de uma nobreza raramente vista na política. Sabendo que isso precisaria ser feito mesmo contra a vontade do executivo, Campos Neto evitou que o ônus político da elevação da taxa recaísse sobre Galípolo, dando ao país pelo menos uns 4 meses de acertos macroeconômicos. Sem plano e sem orçamento votado, é um feito e tanto. Sem isso, já estaríamos com água pela cintura…
Mas se de um lado temos o BC (agora de Galípolo) poupado de críticas, fazendo o certo e afastando por enquanto a hiperinflação, do outro temos um governo que só pensa em pesquisa de opinião, eleição e aumento de gasto. A esquizofrenia de viver num país em que o Banco Central precisa reduzir o consumo para baixar inflação e o governo atua para liberar crédito, quase que imprimindo dinheiro, sem trocadilho, cobrará um preço alto demais. Aí sim, quando essa conta chegar, não faltará assunto.