{"id":53,"date":"2023-05-23T17:23:34","date_gmt":"2023-05-23T20:23:34","guid":{"rendered":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/?p=53"},"modified":"2023-05-23T17:23:35","modified_gmt":"2023-05-23T20:23:35","slug":"analise-da-noticia-e-um-pouco-de-explicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/2023\/05\/23\/analise-da-noticia-e-um-pouco-de-explicacao\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise da Not\u00edcia. E um pouco de explica\u00e7\u00e3o."},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje inauguramos uma nova sess\u00e3o: a an\u00e1lise de manchetes dos principais jornais e portais do pa\u00eds. Pouca gente sabe, mas ensinar reda\u00e7\u00e3o com objetivo foi minha profiss\u00e3o por mais de dez anos seguidos. Mas porque ensinar <strong>reda\u00e7\u00e3o com objetivo?!<\/strong> Ela <strong>\u00e9 diferente da reda\u00e7\u00e3o<\/strong> ensinada na escola? Sim e sim. Explico. O texto escrito \u00e9 um tipo de processo comunicativo. Todo processo comunicativo precisa de pelo menos 4 (quatro) componentes para funcionar: quem comunica (emissor), o que \u00e9 comunicado (mensagem), o mecanismo utilizado (meio) e quem essa recebe essa mensagem (receptor). Isso vale pra tudo. No entanto, alguns processos se diferem em seu prop\u00f3sito. Um tipo particular \u00e9 composto por aqueles que possuem um objetivo que vai al\u00e9m do estabelecimento do processo em si. Calma. Sigo explicando. Vamos imaginar um mon\u00f3logo no teatro: Louro, Alto, Solteiro Procura, do Miguel Fallabela, por exemplo &#8211; (ali\u00e1s, uma das p\u00e9rolas do nosso teatro contempor\u00e2neo &#8211; beijo pro Miguel e pra N\u00edssia). <\/p>\n\n\n\n<p>Nesse exemplo, o objetivo do processo &#8220;mon\u00f3logo do Falabella&#8221; \u00e9 que o processo seja estabelecido, em outras palavras, que pessoas paguem para se tornar parte do processo. Sem as pessoas (receptores) ele pode acontecer, mas n\u00e3o em sua plenitude. Espet\u00e1culo de teatro sem p\u00fablico \u00e9 ensaio. Logo, todos os esfor\u00e7os que envolvem a pe\u00e7a s\u00e3o direcionados para que ela (o processo) aconte\u00e7a da melhor maneira poss\u00edvel. Acabou a apresenta\u00e7\u00e3o, casa cheia, aplausos, sucesso, o processo se encerra. E na pr\u00f3xima exibi\u00e7\u00e3o come\u00e7a tudo de novo. O processo \u00e9 reiniciado. Um filme no cinema \u00e9 a mesma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, imagine um trailer desse filme. \u00c9 t\u00e3o processo comunicativo quanto filme em si, certo? No entanto, o <strong>prop\u00f3sito do trailer \u00e9 diferente do prop\u00f3sito do filme<\/strong>. O filme tem o mesmo objetivo da pe\u00e7a do Miguel Falabella, que \u00e9 o estabelecimento do processo em si. Mas o trailer do filme, n\u00e3o. O prop\u00f3sito dele vai al\u00e9m. O objetivo do trailer \u00e9 fazer com que os receptores do processo trailer fa\u00e7am algo ap\u00f3s o processo comunicativo trailer acontecer. Ele espera que as pessoas, depois de assitirem ao processo trailer,<strong> tomem uma atitude fora do universo em que ele ocorre<\/strong>. O objetivo dele \u00e9 levar voc\u00ea a assistir ao filme, ou seja, temos um processo comunicativo que tem um objetivo maior que sua exist\u00eancia em si. <\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, todo processo comunicativo modifica o receptor. A ci\u00eancia estuda isso h\u00e1 s\u00e9culos, literalmente. Quando lemos um livro, este site, assistimos a uma palestra, tudo nos transforma. Mas cada um se transforma de uma maneira. Em processos com prop\u00f3sito, essa rea\u00e7\u00e3o, esse efeito p\u00f3s processo, \u00e9 sempre pr\u00e9-determinado. Faze-se o processo pensando na a\u00e7\u00e3o posterior. \u00c9 a\u00ed que fica guardado o p\u00f3 de pirlimpimpim&#8230; Neste texto, por exemplo, nao tem isso. Voc\u00ea pode terminar de ler e achar que essas palavras n\u00e3o serviram para nada, voc\u00ea pode gostar, pode n\u00e3o gostar, ignorar, e a vida segue. Meu objetivo, foi alcan\u00e7ado: voc\u00ea leu o texto. Basta. Mas quando eu escrevo um roteiro de um comercial de TV, por exemplo, se o meu p\u00fablico n\u00e3o tiver a rea\u00e7\u00e3o que foi pr\u00e9-estabelecida, o processo teve problemas. Vamos ver se foi na mensagem, no meio que utilizamos, ou se o quem assitiu n\u00e3o deveria ter assistido, enfim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesse tipo de processo, o que tem um objetivo al\u00e9m dele, que reside a minha \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o profissional. Seja ensinando como fazer, seja fazendo aqui na empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tese, o jornalismo deveria ser um processo comunicativo como \u00e9 a pe\u00e7a do Falabela, um filme, um romance. Ser um processo em si. A informa\u00e7\u00e3o foi relatada, o fato foi disposto, as opini\u00f5es foram abordadas e o acontecido que merce se transformar em uma mensagem foi ampliado. Vamos ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, pra que serve essa nova sess\u00e3o neste site? Ela serve pra mostrar como h\u00e1 processos no nosso jornalismo, que n\u00e3o funcionam da maneira que deveriam. Na verdade, eles s\u00e3o constru\u00eddos para funcionar como um trailer de filme: levar quem se torna parte do procsso a ter uma atitude posterior al\u00e9m dele. <\/p>\n\n\n\n<p>Vejam essa manchete: Comiss\u00e3o comandada por oposicionistas pretende investigar os sem-terra. Isso se parece com algo verdadeiro, mas na verdade n\u00e3o \u00e9. Como n\u00e3o \u00e9, Pedro?! A CPI do MST n\u00e3o vai investigar os sem terra? N\u00e3o. N\u00e3o vai. A CPI vai investigar um movimento chamado Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Esse movimento \u00e9 que vai ser investigado. Mas isso n\u00e3o \u00e9 preciosismo, Pedro?! De forma alguma. Substituir a parte pelo todo (meton\u00edmia) \u00e9 uma figura das figuras de linguagem MUITO mais utilizadas na constru\u00e7\u00e3o de processos comunicativos que tem um objetivo por detr\u00e1s. O texto claramente coloca quem \u00e9 opositor ao governo como um grupo que que vai tentar (verbo pretender indica uma tentativa, n\u00e3o um objetivo) investigar pessoas que n\u00e3o possuem terra. Eu n\u00e3o tenho terra. E n\u00e3o terei nenhum oposicionista tentando me investigar. O termo sem terra \u00e9 muito amplo. E tem componentes sociais que formam o seu entendimento pelo senso comum num universo de mis\u00e9ria, pobreza, dificuldade. O termo sem designa aquele quem n\u00e3o possui algo. E quem n\u00e3o possui terra est\u00e1 numa condi\u00e7\u00e3o de inferioridade,  de subjulgamento. Logo, oposicionistas v\u00e3o tentar investigar quem passa por dificuldades. Isso \u00e9 o que est\u00e1 escrito.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Agora, quem acompanha meu trabalho, sabe da minha luta pela normatiza\u00e7\u00e3o do termo FAKE NEWS, e a partir da\u00ed, a concep\u00e7\u00e3o de um regramento que seja ficiente e n\u00e3o promova nenhum tipo de scensura. Essa manchete \u00e9 um exemplo absolutamente PERFEITO, ao meu olhar, do que \u00e9 uma FAKE NEWS. Lembrando que Fake \u00e9 diferente de mentira. Termo fake est\u00e1 mais para designar algo que seja falsificado. E falso \u00e9 aquilo que se traveste de verdadeiro, que por sua vez \u00e9 diferente do que n\u00e3o \u00e9 real. E al\u00e9m disso, como o texto est\u00e1 num portal de <strong>not\u00edcias<\/strong>, no caso no G1, temos tudo completinho: Manchete Falsa = FAKE NEWS.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse exemplo mostra tamb\u00e9m como o processo do PL 2630 precisa ser amadurecido e muito, antes de ser colocado em pr\u00e1tica. Porque, ou temos uma lei que melhora o relacionamento entre seres humanos, ou ficamos sem ela. Afinal, se o prop\u00f3sito do projeto \u00e9 t\u00e3o somente eliminar FAKE NEWS, e sobretudo da internet, antes vamos precisar definir que \u00e9 FAKE e o que \u00e9 NEWS \u00e0 luz dos objetivos da lei. <\/p>\n\n\n\n<p>E para concluirmos: qual afinal \u00e9 o objetivo dessa manchete, enquanto um processo comunicativo?! Eu desconfio, mas n\u00e3o tenho certeza. E se n\u00e3o tenho certeza, n\u00e3o escrevo aqui. E voc\u00ea?! Saberia dizer qual \u00e9 a a\u00e7\u00e3o que esse processo com objetivo pretende que o receptor tenha?! No fundo, no fundo, todos n\u00f3s sabemos&#8230; <\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje inauguramos uma nova sess\u00e3o: a an\u00e1lise de manchetes dos principais jornais e portais do pa\u00eds. Pouca gente sabe, mas ensinar reda\u00e7\u00e3o com objetivo foi minha profiss\u00e3o por mais de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":54,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-53","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-analise-de-manchetes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53\/revisions\/55"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pedrosenna.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}